Emagrecer, se auto-conhecer ou melhorar auto-estima?

Emagrecer ou fazer uma cirurgia plástica não é o suficiente para sentir-se bem consigo mesmo. É importante conhecer os seus próprios limites, até mesmo para ter a capacidade de rompê-los.

A constante busca pela perfeição levou o Brasil a ocupar a segunda colocação no ranking dos países que mais realizam cirurgias para fins estéticos. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, esse tipo de intervenção cresce, em média, no país 10% ao ano. Vale tudo por uma auto-estima elevada.

De acordo com Enrique Maia, psicólogo clínico do Instituto de Psicologia Aplicada (InPA), as cirurgias estéticas podem ajudar na melhora da auto-estima. Entretanto, diz que isso não é o bastante. “A auto-estima é fruto das experiências pelas quais as pessoas passam ao longo da vida. Mudanças estéticas podem possibilitar uma maior satisfação e gratificação nos relacionamentos. No entanto, sentir-se valorizado e aceito não tem relação necessariamente com a melhoria na própria imagem”, afirma.

Para os que estão com a auto-estima em baixa e buscam na cirurgia plástica uma solução para os seus problemas, o psicólogo recomenda cuidado. “Muito do quanto somos aceitos e validados é conseqüência dos nossos comportamentos e atitudes, além do nosso jeito de ser e interagir com os outros. Essas coisas não mudam com uma cirurgia”, afirma Enrique. Nesse sentido, ele defende que é fundamental o autoconhecimento. “O auto conceito positivo e, conseqüentemente, uma auto-estima maior provêm largamente do feedback que as pessoas nos dão e como elas nos tratam", conclui.

Ele ainda complementa que “quem se autoconhece é capaz de perceber a influência, histórica e atual, do contexto e das pessoas sobre os próprios sentimentos”. Dessa forma, o auto-conhecimento é importante para conseguir ter mais segurança na hora de relacionar-se com alguém ou mesmo receber uma crítica.

Enrique defende que as pessoas devem ser capazes de descrever e analisar, com clareza, determinadas situações geradoras de mal-estar. “O autoconhecimento é a ferramenta ideal para se ter auto-estima. Ele é produto das relações que são construídas. Quem não tem essa consciência pode se deixar levar facilmente pelas pessoas e, em conseqüência, acaba, muitas vezes, sentindo-se mal, desvalorizado, adotando uma postura passiva e colhendo fracassos”, argumenta.

Ele exemplifica, citando um caso clínico. Uma garota jovem e bonita, com queixa de bulimia, se achava gorda e desinteressante. Estes sentimentos e a baixa auto-estima eram produto de um relacionamento complicado com a mãe que sempre a depreciava, somado aos comportamentos do namorado que não a valorizava e nem dava a atenção e o carinho esperados. “Na verdade, o problema não era com a sua aparência e, sim, as relações com as pessoas mais importantes na vida dela. Aprendendo a avaliar a situação com mais clareza, ela teve condições de não ser tão influenciada por estas críticas e situações”, relata o psicólogo.

Doenças como depressão, gastrite, enxaquecas, entre outras, muitas vezes são resultado de uma repetida exposição a situações de menos valia e diminuição da auto-estima. “Identificar-se com determinados grupos, mudar a aparência e atitudes pode ajudar a pessoa a sentir-se melhor consigo mesma. Mas é importante frisar que ela não é só valorizada pela beleza, mas também pelos seus comportamentos”, diz Enrique.

Buscar novas situações, compará-las, além de buscar atividades das quais se tenha respostas mais produtivas pode ajudar a melhorar a auto-estima.

“O que se sente não é algo que é dado, mas produto do que se vive”, 
complementa o Psicológo Cid Nunes Ferreira do Projeto MEDIDA CERTA PÍRACICABA
por Maria Inez Grimaldi - criadora do projeto Auto Estima Piracicaba

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